10 setembro 2007

Aberrações

Gostaria de saber qual a importância de relatar "ad nauseam" a volta dos pais de Maddie MacCann ao Reino Unido. Ontem foram horas de comentários e imagens, além de inúmeras aberturas de telejornais para algo que não mereceria mais que uma nota de rodapé, uma vez que tal viagem pode ser uma espécie de fuga caso se venha a provar que os pais tiveram algum papel no desaparecimento da criança.
Creio que a classe jornalística tem perdido cada vez mais a noção do que é informação e do que são dados irrelevantes. O facto de as pessoas quererem ver ou saber algo não quer dizer que esse algo passe a ser informação. Dou como exemplo um comentário de Luís Costa Ribas que dizia que os McCann tinham voltado para a sua casa de 750000 euros.
Noutro telejornal vejo Moita Flores a dizer que não tem qualquer dúvida que Maddie está morta, e que a criança foi morta no apartamento onde dormia e na noite em que foi reportado o seu desaparecimento. Parece-me que tais comentários se podem fazer no café entre amigos e com algum recato mas não numa televisão sem que os tribunais tenham ainda sancionado uma versão para o presumível crime. Tais certezas levam demasiadas vezes a que pessoas que não são condenadas em tribunal sejam enxovalhadas na praça pública, pelo que a sua expressão pública deverá ser feita com cuidado. E não, não estou a apelar à censura estou apenas a discordar do acto. Embora acredite que Moita Flores dispõe de muito mais informação que a maioria do público português além de ter larga experiência de investigação criminal, creio que devia ter omitido pelo menos esta parte do seu comentário. Mas se não fizer estes comentários bombásticos, mesmo que com as melhores intenções, talvez deixe de aparecer na televisão e se calhar nas próximas autárquicas não volta a ser eleito.

3 Comments:

Anonymous lc said...

lendo este post ate parece que estou em portugal neste momento. Por ca E a mesma coisa. E noticia de abertura em varios canais, Imagine-se! E os jornalistas sabem que isto se passa em Portugal (embora uma jornalista tenha gaguejado e feito ar de "onde?"), varios programas (programas diarios) dedicados ao caso e claro ... imensos, diria eu, um mar de comentarios estupidos, despropositados, sem qq nexo ou fundamento e completamente desnecessarios. Horas e Horas de disparates! Ha males que veem por bem e finalmente parece que pelas "piores" razoes Portugal esta finalmente no Mapa. Mas infelizmente parece-me que esteja no lado errado do globo pois muitos comentarios sao acerca da lentidao e ineficacea e incompetencia da policia portuguesa, ou seja, trata-se de um pais pouco desenvolvido do outro lado do atlantico, talvez la para os lados de africa. Por vezes da esta ideia. Num dos comentarios mais surreais e que mostram como o pessoal nao tem nocao de nada, houve um mister muito entendido no assunto que se saiu com isto: "Em Portimau, a esquadra E uma esquadra policial muito pequena numa localidade minuscula, pelo que nao tem qq experiencia nem meios para ligar com um caso destes. O que eles (policia portuguesa) deveriam ter feito Era ter pedido logo de inicio ajuda ... sei la A Scotland Yard ou coisa assim"!!!!!!!!! Ai estes cultos!!!!!!! Afinal, Portugal E uma provincia Britanica ... em tempos ate foi mas hoje???!?!?? Outro comentario lindo foi que as autoridades portuguesas deviam ter fechado as fronteiras logo que a menina foi data como desaparecida! Quais fronteiras? DAH!!!!!!!!!!! E entao vindo deste pessoal que nao consegue fechar a fronteira com o Mexico ...

3:21 da tarde  
Anonymous lc said...

outra que lhes faz imensa confusao E o termo arguido! Depois de varios ensaios em directo, la conseguem dizer qq coisa que se assemelha remotamente a arguido. E depois vem a parte gira que E tentarem entender o que isso significa. E claro, disparate. A conclusao quase unanime E que ser considerado/constituido arguido em Portugal ate E uma coisa boa, positiva, pois a pessoa passa a ter direito a advogado e direito a nao responder A perguntas! COISA BOA? POSITIVA? Come on people!

3:26 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Ao menos que sirva de lição para os nossos políticos, que são em última instância quem faz as leis por que os juízes se regem, e que determinam em que circunstâncias deve ser tomada esta ou aquela medida de coacção.

A próxima alteração do código penal vai restringir ainda mais os casos em que poderá ser determinada a prisão preventiva em Portugal.

3:31 da tarde  

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